Entrevistas

Entrevista Com Vitor Corrêa

junho 9, 2019

No post de hoje, vamos apresentar a entrevista que fizemos com o culinarista Vitor Correa. Cirurgião dentista por formação, hoje o Vitor trabalha totalmente no ramo de gastronomia, ministrando cursos, oferecendo consultorias, e desenvolvendo conteúdo para empresas na internet.  Formado em pâtisserie e boulangerie pelo Centro Europeu de Curitiba, nesta entrevista o Vitor compartilha um pouco dos desafios da transição de carreira, e divide algumas dicas de sucesso de cozinha e fotografia.

Para quem não o conhece, o Vitor é criador do site e canal Menu do Chef, e criador do site www.vitorcorrea.com. Você também pode encontrar o trabalho dele pelo Instagram @vitorcorrea13 ou pelo canal do youtube Vitor Correa.

 

CC: Você tem vários projetos na panela. Sempre foi assim, ou em algum momento da sua trajetória você sentiu a necessidade de se reinventar?

VC: Recentemente, senti a necessidade de migrar o site Menu do Chef para um espaço maior e mais organizado, que hoje é o www.vitorcorrea.com.  Lá consigo falar sobre muitas outras coisas que não conseguia abordar no Menu do Chef  como, por exemplo, arrumar mesas, que de certa forma também continuam ligadas ao mundo da gastronomia, porém com uma pitadinha do meu jeito Vitor de ser.

 De tempos em tempos você precisa estar modificando e ampliando seu nicho e buscando conhecimento. A gente nunca deve ter com a gente que tudo sabemos. Temos coisas a ensinar, mas muito mais coisas a aprender. O aprendizado é algo que faz parte da nossa vida.

bolo-de-andar

CC: Como foi o processo de mudança de carreira? 

VC: Tudo aconteceu de forma orgânica e despretensiosa. Desde criança sempre me envolvi muito em questões ligadas a parte artística, tanto que acabei escolhendo uma profissão que, de certa forma, também exige muito desse lado artístico.

Depois que me formei, mudei de cidade para uma outra onde sou total desconhecido, quase que um estrangeiro. Aqui, o mercado da Odontologia é muito fechado e restrito, onde os negócios passam de geração para geração. Além disso, eu já estava um pouco decepcionado com algumas coisas que estava vendo dentro da profissão. 

O que realmente me levou a fazer esta alteração foi a minha necessidade de aprender a cozinhar. Estava morando fora de casa sozinho, me alimentando mal e estranhei muito a comida aqui na região onde eu moro. Comecei a pesquisar, estudar e aprender e ali vi que eu realmente tinha um talento para coisa. 

Além da comida ser gostosa, ela precisa ser apetitosa. A gente primeiro come com os olhos, e foi com esse intuito, com esta forma de eu expor o meu ponto de vista, que as pessoas começaram a me procurar. 

CC: Como se interessou na parte de fotografia?

VC: Ela veio de um curso de fotografia culinária. Participei de um desafio, onde tinha que fazer estas fotos por tantos meses. Acabou que eu não ganhei, já que não entendia nada sobre fotografia, nada de iluminação, produção fotográfica. Enfim, acabei tomando gosto pela coisa e foi ai que as coisas foram acontecendo de forma orgânica. As pessoas começaram a me seguir, começaram a pedir receitas, e por conta disso acabei vendo meu espaço que eu poderia estar trabalhando. Vi uma oportunidade de mudança, apesar de ser muito radical. 

CC: Você foi criticado nesta mudança de carreira?

VC: Fui muito criticado no inicio, porém hoje, as pessoas que me criticaram, entendem que foi a melhor coisa que eu poderia ter feito por mim. Hoje sou uma pessoa muito mais feliz e realizada profissionalmente, porque faço algo que eu gosto de verdade. E também porque toda mudança, por menor que ela seja, ela sempre causa impacto na vida das pessoas. E na minha vida, foi um impacto muito positivo. Além de eu estar fazendo algo que eu gosto, e estar sendo reconhecido pelo trabalho que eu faço, eu também me sinto realizado por saber que eu faço diferença na vida das pessoas. Consigo ajudar muita gente mesmo. Diariamente, além dos pedidos de receitas que eu recebo, eu recebo um feedback muito positivo de pessoas. Esta foi a resposta que eu estava esperando pra essa grande mudança na minha vida.

bolo-forma-nordicware

CC: Teve alguém que te inspirou? 

VC: Ah com certeza, ao longo de todo nosso caminho a gente sempre acaba se inspirando. A minha musa inspiradora foi a apresentadora Rita Lobo do GNT, do programa “Cozinha Pratica”, e foi com ela que eu aprendi realmente a tomar gosto pela gastronomia, pela cozinha de verdade. 

CC: Tem alguma dica para quem está começando? Quais cursos investir, etc?

VC: Eu não indicaria um curso de longa duração que nem o meu, mas indicaria cursos menores. Tem vários cursos excelentes de fim de semana, que são “hands-on”, mãos na massa. Estes cursos têm custo beneficio muito bom, focando exclusivamente na área desejada. 

bolo-vitor-correa

CC: Hoje você considera gastronomia sua principal fonte de renda?

VC: Sim, hoje eu considero a gastronomia e tudo que engloba ela a minha principal forma de renda. Eu não trabalho exclusivamente com a parte de instrução, de dar cursos. Trabalho também com a produção fotográfica, produção e desenvolvimento de conteúdo para outras empresas. Também dou treinamento para empresas no ramo alimentício. Existe um nicho muito grande para quem quer trabalhar na área da gastronomia.

CC: O seu Instagram tem uma apresentação impecável dos pratos que você faz. Você tem alguma dica para quem quer começar a fotografar comida para vender?

VC: A primeira coisa, é a pessoa conhecer o publico que ela vai atender, por que a partir dai ela vai conseguir fazer a fotografia direcionada para este publico, e de certa forma vai conseguir melhorar os números. Se a pessoa pretende vender ou divulgar através da internet, a gente sabe que as pessoas são muito visuais e por isso é bacana uma fotografia que é fiel ao produto que a pessoa esta vendendo.

Na questão de fotografia, vai muito do olho e olhar critico da pessoa. Na internet você encontra informações muito preciosas, tirei grande parte do meu conhecimento de lá, de canais no Youtube e artigos no Google.

Primeiro passo é saber os básicos: iluminação e posicionamento. Depois disso, vem a parte de dominar o equipamento. Nem todo mundo tem dinheiro para investir em uma câmera boa mas existe uma gama de celulares que já tem uma lente ou câmera muito bacana. Estudei sobre iluminação, posicionamento de objetos, e fui aplicando na gastronomia. 

Outra coisa, é saber que é errando que se aprende. Errei muito para chegar onde cheguei hoje e eu sei que tenho muito a melhorar ainda. Sempre que tenho oportunidade de participar de curso, acompanho canais na internet… acho que é isso que as pessoas precisam fazer!

Pra finalizar, eu não acho legal comprar fotos de banco de internet. Se você faz o seu produto, eu aconselho que você tire uma foto do seu produto, mesmo que seja do celular. Só não utilize fotos de outras pessoas, porque isso não é honesto com os seus consumidores e muito menos com a pessoa que tirou aquela imagem. 

bolo-de-camadas

CC: Como foi o processo de ganho de parcerias?

VC: Enviava uma proposta, mostrava meu portfolio, e assim foram surgindo as parecerias. Algumas davam certo, outras nem tanto. Hoje em dia, sou mais criterioso com as parcerias que eu faço. As empresas, ou as assessorias entram em contato comigo, me enviam o mídia kit ou eu envio o meu para eles. Vemos se tem algo em comum, e baseado nisso a gente vê se tem algo para fazer, e aí vamos elaborando um plano de ação.

CC: Você cria todas as suas receitas ou adapta receitas já existentes? Conta pra gente!

VC: A parte de criação é uma mistura. Tem receitas que eu crio do zero, e tem receitas que eu vejo na internet e adapto dentro da minha realidade e dentro daquilo que meus seguidores vão conseguir reproduzir. Muitas vezes os ingredientes não são de fácil acesso, então eu tento incluir ingredientes que todo mundo consiga cozinhar. A cozinha tem que ser inclusiva, e não exclusiva.

CC: Hoje você prefere cozinhar doces ou salgados? 

VC: Para fazer, eu gosto tanto de doces quanto salgado. Para comer, eu prefiro salgados! O meu público prefere que eu faça doces, e por isso que meu feed é quase que completamente doces. 

pao-vitor-correa

CC: E qual deles você dominou primeiro? Teve algum que teve mais dificuldades em aprender?

VC: Aprendi primeiro o salgado, e depois eu vi os doces e quis me aventurar. O doce é uma coisa que exige um pouco mais de técnica, no meu ponto de vista. Comecei com o básico, os salgados desde o arroz e feijão. E depois parti para os doces, as sobremesas.

A receita que eu mais tive dificuldade foi a massa folhada, usada para fazer croissants, e mil folhas. Tem muitas técnicas envolvidas, e muitos níveis de dificuldade, então levei um tempinho.

CC: Você cometeu algum erro no inicio da carreira? Qual erro é comum cometer no começo da carreira?

VC: Claro, o principal erro que eu cometi e vejo que as pessoas cometem na hora de reproduzir a receita de uma pessoa, é a falta de interpretação na hora de ler a receita, a falta de paciência, e a falta de prestar atenção nos detalhes. Quando você for reproduzir a receita de alguém, leia a receita atentamente pelo menos 3 vezes. Depois, separe todos os ingredientes, pese, deixe seu mis-en-place certinho para que você não esqueça de nenhum ingrediente na hora de realizar o passo a passo.

Outro erro comum, é não seguir a receita à risca, como está escrita e logo na primeira tentativa já tentar substituir ingredientes. Isso é uma forma certeira para fracasso. Frequentemente, nós erramos por pouco, e não por muito, e pecamos nestes detalhes. Por exemplo, muita gente confunde uma xícara de chá de receita, com uma xícara de chá que tem em casa. Por isso, procuro usar medidas padrão para que haja uma padronização de medidas na hora de fazer as receitas, para que elas saiam sempre da mesma forma.

CC: Você é bem ativo nas postagens. Como é a sua rotina, tem alguém te ajuda?

VC: Sim, precisamos ser bem ativos nas redes sociais, principalmente quando é através das redes sociais que a gente trabalha. Reservo algumas horas no dia para responder seguidores, ou empresas contratantes, mas eu já tive um período em que eu ficava conectado praticamente 24 horas por dia. Porém, a gente tem uma vida além do celular então tudo tem que ter um equilíbrio para que nenhuma parte da vida fique desfalcada.

Não trabalho com ninguém, já tentei, mas não era do jeito que eu queria, e a gente acaba perdendo contato com as pessoas, falta de comunicação. Decidi que deveria manter a rede social por minha conta mesmo.

CC: Hoje quais são os planos do Vitor para o futuro? Deseja abrir uma cozinha, focar nos cursos…?

VC: Não atingi tudo que eu desejo, sei o meu potencial, mas também sei das minhas limitações. Eu ainda tenho muito a aprender e estudar para que desta forma eu consiga atingir todas as coisas que eu almejo. Nunca pensei em ter uma cozinha, isso nunca foi uma possibilidade para mim. 

Uma coisa que eu quero muito no futuro é expandir meus cursos, levar para o Brasilzao a fora um pouco da minha gastronomia, da minha confeitaria que é repleta de afeto. Acredito que é por isso que as pessoas gostam tanto do que eu faço. As minhas receitas são carregadas de amor e carinho e isso é algo que esta em deficiência. Num mundo onde as pessoas estão cada vez mais vazias, cozinhar é uma forma de mostrar que a gente se importa com as pessoas e que tem coisas boas pra estar passando pra frente.

bolo-vitor-correa-entrevista

CC: Na sua opinião, quais os pré-requisitos para um chef de cozinha?

VC: Não me enxergo com um chef, até porque para ser um chef de cozinha a pessoa precisa comandar uma cozinha. Eu me considero um culinarista, alguém que ama cozinhar e que ama ensinar aquilo que sabe, e isso é uma das cosias mais para qualquer profissão. A pessoa tem que ter humildade, mas o fato de ser humilde não quer dizer a pessoa que abaixa a cabeça para tudo; ninguém é tão sábio que não tem nada aprender, e ninguém é tão desprovido de conhecimento que não tem nada a ensinar.

Aprendi muitas coisas conversando com senhoras que não tem escolaridade, mas que aprenderam a cozinhar sozinhas e instintivamente elas foram aprendendo as coisas do jeito delas, e isso não foi um fator limitante.

Outra cosia é sempre saber procurar formas de evoluir, não parar no tempo, e ser sempre uma pessoa preocupada com os outros. Colocando tudo isso em pratica, dificilmente ela não vai se tornar um grande profissional em qualquer área que ela for trabalhar.

VC: Quais são os utensílios que não pode faltar na cozinha do Vitor?

VC: As xicaras e colheres medidoras são imprescindíveis para quem quer se aventurar no mundo da culinária. Além disso, uma boa faca de corte, ou faca de chef, é indispensável. Um fuê de boa qualidade, e a espátula de silicone, o pão duro.

CC: Melhor investimento nos últimos tempos?

VC: Com toda certeza foi a minha batedeira KitchenAid!

CC: Como é possível baratear os custos da produção dos pratos sem perder a qualidade?

VC: Isso é um assunto bem sensível. Muita gente prioriza somente o custo e acabam colocando a qualidade dos ingredientes em voga. Você quer ser lembrando por ter um produto mais barato ou por ter um produto que se diferencia no mercado?

 Para não correr o risco de usar ingredientes de baixa qualidade ao diminuir custos, eu aconselho não diminuir custos de ingredientes, mas sim da produção.

Por exemplo, o seu tempo de custo, o tempo de forno, gastos de energia elétrica. Se você não tem bolos pra vender todos no mesmo dia, faça um planejamento e tente fazer o mesmo tipo de produção no mesmo dia, para aproveitar o calor do forno, e a batedeira. Esse tipo de coisa faz com que você não desperdice ingredientes e da mesma forma o seu tempo, a sua mão de obra, que vale dinheiro.

CC: O que você mais aprecia na culinária brasileira?

VC: O que caracteriza a culinária brasileira? a gente é um pais que tem uma grande miscigenação. O local onde eu cresci tem fortes influencias da culinária italiana, da alemã e da portuguesa. Porem dependendo da região do pais, a gente tem traços de cada cultura que foi colonizadora. Existem varias receitas que eu tenho um grande carinho. Gosto de algumas receitas da culinária Nordestina, como também de algumas receitas do Centro Oeste e as do Sul, como não poderia ser. Tradicionalmente, uma receita que é muito significativa pra mim é a cuca que é uma mistura de bolo e pão. É super tradicional aqui do Sul, ela tem fortes traços da culinária alemã.

CC: Alguma dica para a cuca perfeita?

VC: A cuca que eu cresci comendo tende mais a ser um bolo com uma massa mais firme, e ela tem uma farofinha… o truque que eu gosto é usar um pouco de açúcar mascavo e cristal, e coloco canela e noz moscada na farofinha. Isso faz toda a diferença na hora que a cuca está assada.

CC: Qual mania você tem que ninguém sabe?

VC: Tenho uma mania muito seria que é ir lavando as coisas enquanto eu estou cozinhando. A cada etapa, eu já vou parando e limpando a minha cozinha, porque eu odeio ver a minha pia suja e isso é uma mania que eu não consigo cozinhar de outra forma. 

CC: E pra finalizar, sabemos que você tem uma coleção enorme das formas NordicWare. Qual é a sua preferida?

VC: Ai, sacanagem! Eu gosto de todos modelos! Mas se eu pudesse escolher apenas uma, escolheria uma que cai bem em todas as ocasiões, que é a elegant party. Foi um achado! Estava viajando em Bruxelas entrei em uma loja de cozinha e dei de cara com ela, e consegui comprar… fazia um tempão que queria comprar ela no Brasil e estava sempre esgotada.

bolo-elegant-party

E aí, pessoal! Gostaram do nosso bate-papo com o Vitor? Conta pra gente nos comentários!

You Might Also Like

2 Comments

  • Reply FERNANDO MACIEL RAMOS junho 9, 2019 at 2:12 pm

    Um grande Chef! Além de um visual lindo, os seus pratos e receitas são de sabor incrível!!!!!

  • Reply Alan junho 9, 2019 at 3:21 pm

    Adoro as receitas do @vitorcorrea13
    Se seguir certinho, sempre dão certo!!

  • Deixe uma resposta

    %d blogueiros gostam disto: